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DATA SIM MOSTRA A FORÇA ECONÔMICA DOS ESPAÇOS PARA SHOW EM SP





O DATA SIM apresentou na tarde de sexta-feira (7/12) os resultados da pesquisa “O mercado da música de São Paulo - parte I: Ao vivo”, que levantou dados socioeconômicos e demográficos sobre os locais que movimentam a cena paulistana.

Foram enviados questionários on-line com 63 questões abertas e fechadas para cerca de 300 espaços mapeados previamente e espalhados pela cidade (casas de show, locais com espaço para show e centros culturais/ espaços culturais). Destes, 86 responderam à pesquisa.

Os números mostraram que a maioria dos locais estão localizados na zona oeste de São Paulo (49%), seguido por centro (29%), zona leste (10%), zona sul (7%) e zona norte (5%). A maioria (65%) são estabelecimentos de pequeno porte (até 350 pessoas). “Nesses 86 espaços, são contratados em média 731 atrações por semana ou 2.924 por mês (incluindo bandas e DJs)”, conforme informou o DATA SIM.

A música autoral domina a programação, 84% dos espaços, mas cerca de 53% também recebe bandas/ artistas cover, 50% com DJs (discotecagem) e 38% performances ao vivo de DJs. Nem todos os locais abriram seus números de faturamento, mas, baseado nas respostas recebidas, o DATA SIM chegou a uma receita anual projetada para os 86 espaços que chega a R$ 195 milhões, com valores de ingressos que vão de R$ 2 a R$ 340. Outro dado importante mostrou que a maioria nunca usou nem lei de incentivo nem edital.

“O meio musical tem que se apropriar desses dados e mostrar, nesse momento de criminalização da área cultural, a importância que tem para a economia. Pra mostrar pro poder público quanto a gente gera de dinheiro”, falou Dani Ribas, que ao lado de Fabiana Batistela (diretora da SIM), comanda o DATA SIM, e apresentou os dados na sexta acompanhada por Carina Shimizu (JLeiva Cultura & Esporte/SP) e Suyanne Keidel (Casa Natura Musical/SP). “Aqui no Brasil se tem a concepção que a área artística só pega dinheiro do estado, mas a gente gera muito dinheiro também.”

A produção autoral e o investimento em artistas novos também foi destaque nos números apresentados pelo DATA SIM, mostrando que 94% dos espaços pra show em São Paulo trabalham com novos artistas ou propostas não consagradas. Desses, 87% apresentam atrações de outros estados, 62% de outros países, provando que a capital paulista tem uma identidade musical “diversa, cosmopolita e experimental”. “São Paulo é um hub nacional e internacional de propostas artísticas”, definiu Dani Ribas. “As casas estão apostando e investindo em novos talentos. Trabalhar com diversidade é o ativo dessas casas.”

União das casas

“Os empresários da noite tem que se entender como setor, se organizarem. Qualquer setor tem que se organizar”, falou Dani, sendo seguida em seu raciocínio por Suyanne Keidel, da Casa Natura Musical: “É muito importante que a gente tenha uma rede, pois nossos problemas são exatamente os mesmos. Todas as casas estão preocupadas com o aumento do aluguel, impostos, investimento em acessibilidade. Nossos desafios são parecidos, então temos que trabalhar muito perto”.

Como já havia feito em mesas anteriores da SIM 2018, Dani Ribas voltou a dizer que só com a união da classe artística, mostrando números, que a cultura no Brasil irá sobreviver aos próximos quatro anos com o governo de Jair Bolsonaro, que já anunciou que o Ministério da Cultura será uma pasta dentro do Ministério da Cidadania. “Queria muito que o secretaria de cultura [de São Paulo, André Sturm] estive aqui ouvindo [a pesquisa]. Queria que o tocador de berimbau [Osmar Terra, futuro ministro da Cidadania] estive aqui, mas não falando, e sim ouvindo. Nós estamos pressionando e isso aqui é só o começo”, declarou.

Suyanne Keidel destacou também o fato da economia gerada pelas casas de show de São Paulo irem além dos estabelecimentos. “A Casa Natura recebeu 65 mil pessoas esse ano. Elas também movimentaram o entorno”, explicou. “A gente precisa lembrar que, quando colocamos um artista pra chegar ali e fazer o discurso dele no palco, pras pessoas ouvirem, a gente também está transformando a sociedade. A gente só precisa trabalhar mais em rede.”

A pesquisa sobre os espaços para shows do DATA SIM continuará aberta, já que muitos lugares não responderam aos questionamentos. A ideia é ampliar o estudo para festivais, produções e turnês, coletivos e festas, periferia e igrejas, no que diz respeito a “Espaços de Música Ao Vivo” na cidade de São Paulo.

O DATA SIM pretende também se aprofundar no mercado fonográfico, mercado de instrumentos e no setor artístico. Para ver os resultados da primeira parte da pesquisa sobre os espaços de música ao vivo em São Paulo é só acessar datasim.info.

* Texto: Bruno Dias Foto: Victor Balde


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