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Prêmio SIM homenageia Miranda e premia a resistência





O Prêmio SIM também ecoou a palavra “resistência” que permeou grande parte da conferência em 2018. Em sua segunda edição, a votação feita entre conferencistas, valorizou artistas e projetos que se posicionam e transformam realidades pela música, com destaque para Carlos Eduardo Miranda por sua imensa contribuição à música. O tom político que marcou toda a conferência foi reiterado durante a premiação na qual Luedji Luna e Edgar empataram como favoritos na categoria Novo Talento. A resistência negra foi premiada em Projeto do Ano com Aparelha Luzia. E na categoria Inovação, o Keychange foi o escolhido, mostrando a importância da discussão sobre paridade de gênero na indústria da música.

O prêmio Contribuição à Música foi entregue por Pena Schmidt, vencedor da categoria em 2017, numa homenagem da SIM São Paulo ao produtor Carlos Eduardo Miranda. Falecido em março aos 56 anos, Carlos Eduardo Miranda virou a música brasileira do avesso... várias vezes. Sua lista de colaborações é imensa, sua lista de sucessos é vasta, e seu coração, enorme. Nesta homenagem, o Prêmio SIM colheu alguns depoimentos apresentados em um vídeo especial na Sala Jardel Filho, do Centro Cultural São Paulo, que reuniu Samuel Rosa (Skank), Fred Zeroquatro (Mundo Livre S/A), Branco Mello (Titãs), Rafael Ramos (Deck), Digão (Raimundos), Gabriel Thomaz (Autoramas), Dudu Marote (produtor), Jaloo, Adriano Cintra (CSS) e Letz Spindola (produtora), entre outros. Para receber o prêmio, a esposa Bel Hammes subiu ao palco: “Quem conhecia o Miranda, sabe: se ele estivesse aqui estaria dizendo ‘nem gosto dessas coisas’ – risos. Ele sempre dizia que temos que estar juntos na alegria e na tristeza. Então o recado é esse: só alegria”.



Na categoria Inovação, o vencedor escolhido pela audiência da SIM São Paulo foi o Keychange, plataforma que busca paridade entre homens e mulheres nos line-ups de festivais mundo afora. Um dia antes, na SIM São Paulo, Vanessa Reed celebrou o fato de que 150 festivais (incluindo a SIM) se engajaram na causa do Keychange e, ao mesmo tempo, o Primavera Sound anunciou que também quer atingir o equilíbrio de 50% entre os gêneros no próximo ano. O Prêmio SIM coroou seu trabalho: “Esse prêmio foi uma surpresa! Eu passei o dia turistando por São Paulo e realmente não esperava isso. A inovação só acontece com diversidade e com as mulheres fazendo parte. Isso é importante. Esse prêmio é importante para o Keychange. Obrigado, Fabiana (Batistela) pelo trabalho que você realiza na SIM”, agradeceu.

Na categoria Novo Talento, um empate reprisou o resultado da primeira edição, vencida por Giovani Cidreira e Larissa Luz na estreia: em 2018, o voto dos conferencistas reconheceu o belo trabalho da baiana Luedji Luna (nascido do encontro entre a negritude, a espiritualidade e o urbano, e tendo como tema a diáspora negra) e do paulista Edgar (que lançou em 2018 “Ultrassom”, um disco que exibe referências ao rap, à música eletrônica, aos ritmos nordestinos e ao rock) – os dois dividiram o prêmio da categoria. “2018 tem sido um ano abençoado, mas de muita batalha, principalmente por ser mulher, preta, e trabalhar com uma equipe de mulheres pretas. Esse prêmio é das mulheres pretas, e de Bia Ferreira e Drik Barbosa também. Vida longa a todos os quilombos do nosso país”, festejou. Edgar foi pego de surpresa: “Eu estava indo ver o show do Teto Preto”, confidenciou, festejando muito o prêmio.

Local que se transformou em um dos mais importantes espaços de resistência negra conectada a cultura na cidade de São Paulo, a Aparelha Luzia recebeu o Prêmio SIM de Projeto do Ano, aplaudidíssimo. Trata-se de um centro cultural e um quilombo urbano fundado no centro da capital paulista em 2016, palco de festas, cursos, exposições e debates. Seu nome é uma versão feminina dos aparelhos, células de resistência contra a ditadura militar de 1964, e uma homenagem a Luzia, o mais antigo fóssil humano do Brasil. “Estamos falando de uma casa para aparelhar, (remete a) década de 60, não tão diferente de hoje, quando vivíamos a ditadura militar”, explicou a representante de Erica Malunguinho, criadora do projeto e eleita deputada estadual da cidade de São Paulo em 2018. “E Luzia porque nem o fogo do Museu Nacional do Rio de Janeiro pode queimar a nossa ancestralidade”, continuou.

Este ano, duas novas categorias debutaram na conferência: o Prêmio Spotify SIM São Paulo de Música do Ano foi para “Pra Te Conquistar”, de Romero Ferro, na votação do público, e para “Banho”, de Elza Soares, e “Bichinho”, de Duda Beat, na votação da crítica – em mais um empate. As playlists com o Top 10 2018 estarão disponíveis no canal da SIM São Paulo no Spotify. 

A SIM também abriu espaço para Gabriel Thomaz, dos Autoramas, falar dos vencedores da sexta edição do Prêmio Gabriel Thomaz de Música Brasileira (a terceira dentro da SIM São Paulo): “O Jeito de Errar”, do Molho Negro, foi escolhido Hit do Ano; a categoria Álbum Mais Conceitual foi vencida por Asteroides Trio com o disco “Geração Drosóphila Melanogaster”; Capa Mais Bonita foi para Leandro Dexter e seu “Sangue de Androide”; o prêmio Empreendimento Mais Lucrativo saiu para Psico BR; encerrando a premiação, a categoria Sou Suspeito premiou “Para o Alto e Avante”, dos Autoramas. Em 2019 tem mais!

Texto: Marcelo Costa - Foto: Hannah Carvalho

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