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A incrível trajetória de Alain Lahana (FRA)

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Alain Lahana é produtor de shows e um homem com histórias incríveis para contar sobre o mundo da música. Ele faz parte da geração que se formou na base da experiência durante os anos 70, época em que o movimento punk chegava à França para se contrapor à onda da música disco. Já trabalhou com nomes como The Police, The Clash, David Bowie, Tears for Fears, Depeche Mode, Phil Collins, os Rolling Stones e muitos outros. Atualmente, como presidente da produtora Rat des Villes,  representa artistas como Patti Smith, Iggy Pop & the Stooges, Ayo, e os brilhantes Féfé, Zaza Fournier, Saul Williams e GiedRé.

Ele participou do Q&A (questions and answers) na Sala Concerto na sexta-feira (05/12). Quem perguntou, além do público presente, foi o empresário Andre Bourgeois, da Urban Jungle. Com uma trajetória invejável e experiências de vida singulares, Alain é um dos grandes responsáveis pela cena musical francesa nos últimos 40 anos.

Começou adolescente, levando bandas inglesas à França, no auge do movimento punk. Após quebrar financeiramente (na virada da década de 80 para 90) e como ele mesmo disse “abandonar o rock”, Alain teve que se reinventar. E triunfou com o emblemático festival do bicentenário da Revolução Francesa, que ele lembra com muito carinho. Dali para frente, ficou mais eclético e passou a trabalhar com artistas de outros estilos, e mergulhou em novos universos musicais. “Sou amigo e já trabalhei com músicos consagrados, porém gosto de trabalhar com gente nova, gosto de usar minha criatividade e aprender”, afirma.

Mas não foi só o rock marcou sua carreira. Apesar de estar trabalhando com o incansável Iggy Pop a mais de 40 anos, Alain já se envolveu com artistas de fora de seu habitat natural como por exemplo: Spice Girls nos anos 90 e Féfé atualmente (este último marca presença em dois palcos, dentro da SIM: Noite Francesa e Festival Ubuntu).

Aliás o rapper francês é um dos destaques de seu casting. Féfé acabou de gravar um clipe com Emicida numa favela de São Paulo. “Acho que uma boa forma de projetar um artista em outro país é através do intercâmbio com artistas da cena local”, diz.

Quando questionado sobre música brasileira nos últimos 20 anos, Alain afirmou que já levou para a França medalhões como João Gilberto e Gilberto Gil mas que nomes como Lucas Santtana e Emicida são grandes novidades para ele.

Os pontos altos da palestra ficaram por conta de suas maravilhosas histórias ao lado de David Bowie e seu queridinho Iggy Pop. Entre ótimas histórias, ele conta da vez que Iggy Pop, já com certa popularidade, se camuflou com uma toalha na cabeça, pintou a cara e abriu o próprio show com 20 minutos de catarse coletiva, sem ao menos uma alma notar a façanha. Após isso, nosso amigo “Gimme Danger”, entra no backstage, consome uma quantidade abusiva de drogas, volta ao palco para seu show e canta suas músicas sem ao menos respirar por um segundo.

Já a história de David Bowie, o empresário conta com um certo carinho, uma amizade da qual preza muito. Alain foi o responsável pela primeira turnê do camaleão na França e participou do que era para ser sua “última” e emblemática Sound And Vision tour.

Mas nem tudo foi fácil. Alain disse que quando começou, no Reino Unido, bandas punks eram muito marginalizadas. Ramones dificilmente colocavam mais de 500 pessoas dentro de uma casa de shows (na época dos mega shows de estádio); e ri do “hype” em que tudo isso se tornou hoje em dia.

Para finalizar, Alain disse que um dos seus segredos é buscar artistas com originalidade. Quando novo, esperava bandas viscerais com a energia e a vitalidade de Iggy Pop, que ele descreve como “ir para o show e não saber o que vai acontecer, uma performance diferente a cada noite e muita, mas muita fúria” . Mas com o tempo, foi aprendendo a apreciar novos estilos e jeitos de ser.

E a mensagem que ficou, de toda a história dessa figura fundamental para a música, é: reinventar-se é preciso.

(por Rafael Chioccarello)