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NA SIM, ANDRÉ STURM SE DIZ CONTRA FIM DO MINC E PEDE ARTICULAÇÃO DE MÚSICOS





O momento para se fazer cultura do Brasil nunca foi tão difícil, principalmente com a extinção do Ministério da Cultura pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, que irá transformá-lo numa pasta dentro do Ministério da Cidadania. Como não poderia ser diferente, desde a festa de abertura, o tema tem sido recorrente dentro da Semana Internacional de Música de São Paulo, e nesta sexta-feira (7/12) foi a vez de receber André Sturm, secretário de cultura da cidade de São Paulo, que foi entrevistado pela jornalista Lorena Calabria, na Sala de Ensaio II, do Centro Cultural São Paulo, que comentou o assunto e falou como tem feito para driblar a burocracia existente dentro da máquina pública da capital paulista.

Diretor-executivo do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP) até o final de 2016, Sturm contou como aplicou a bagagem do trabalho feito por lá na cidade de São Paulo, como uma programação mais contínua nas Casas de Cultura. “As Casas de Cultura vão somar oito vezes mais público esse ano, tudo por conta da continuidade da programação”, afirmou, que revelou que os maiores desafios que enfrentou como secretário foram a burocracia e a diminuição de orçamento. “Há uma inércia burocrática que você tem que ficar o tempo inteiro lutando contra ela. A questão da verba a gente conseguiu contornar internamento. Devagar nós chegamos no fim do ano com 25% de congelamento [o bloqueio inicial havia sido de 46%]. A burocracia nunca pode ser um obstáculo pra fazer o que a gente quer, pode dar mais trabalho, chatear.”

Sobre o fim do Ministério da Cultura, André Sturm já havia se mostrado contra e voltou a dar sua opinião contrária à decisão na SIM. “Infelizmente, na eleição aqui no Brasil, a cultura ficou entendida por quem venceu como um negócio de pessoas que ‘mamam no governo’, mas cultura não é isso, é muito mais do que isso, mais significativa e precisamos lutar por isso”, declarou. Ele ainda citou sua preocupação com o futuro das ações da APEX (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) no campo da cultura: “Existem programas de cinema, de música, filmes publicitários, alguns deles bem sucedidos, que também temem por isso no próximo governo. Veja quem é o Ministro das Relações Exteriores [Ernesto Araújo]. Temo que a gente não vá pra frente, mas vá pra trás”.

Durante uma das perguntas, o secretário foi questionado sobre a dificuldade de produtores de casas de São Paulo, que, no exemplo dado, precisam pagar a mesma TFE (Taxa de Fiscalização de Estabelecimentos) que locais como o Allianz Parque. “Essas questões que você levantou que são todas [importantes], me vejo como militante do cinema. Com toda franqueza, ela depende de articulação, ou seja, vocês precisam se articular, organizar uma liderança, não uma pessoa que fale como dono do setor, mas um grupo que se articule, que demande, porque na hora que a demanda chega na sociedade ela é analisada e pode ser encaminhada”, explicou, citando o exemplo dos teatros de São Paulo que conseguiram isenção de IPTU após se juntarem e lutarem por isso. “Por mais que eu entenda um pouquinho [sobre o tema], eu, que sou um secretário de cultura, que tenho uma vida na cultura, que estou atento às questões, não conheço esses detalhes, onde dói no setor da música.”


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