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Tom Zé, Expomusic Day, Argentina, Canadá e Ceará movimentam segundo dia!





O segundo dia da SIM São Paulo 2018 promoveu mais encontros, parcerias e aprendizados. O DATA SIM foi um dos destaques da programação, que ainda contou com a presença de Tom Zé numa aula show incrível, do o secretário de cultura da cidade de São Paulo, André Sturm, manifestando sua posição contra o fim do Ministério da Cultura, e muita música e sol no Espaço Oi Labsonica, além de Michael Azerrad autografando seu livro e a agenda importante do Expomusic Day marcando a reaproximação do mercado de instrumentos com o mercado da música. 

No primeiro painel do dia, representantes de agregadoras de diversas partes do mundo se reuniram na Sala Jardel Filho para debaterem o futuro da distribuição digital para artistas independentes. A mediadora Dani Ribas (Sonar Cultural / DATA SIM) abriu a conversa perguntando a todos da mesa como viam o movimento do Spotify, anunciado em setembro, que está testando uma ferramenta de upload que permitirá a todos os artistas independentes subirem suas músicas na plataforma sem a necessidade de um agregador. A notícia dividiu a mesa. 

Inma Grass, representante do Alta Fonte Espanha, viu esse movimento do Spotify com bons olhos, reforçando o quanto a plataforma é importante para a música atual. Heli Del Moral, da CD Baby, ponderou: "É importante para quem trabalha com música pensar que, no final do dia, o que importa realmente é o seu conteúdo. É ele quem move tudo e é importante que ele esteja no maior número de players de streaming, não apenas em um". Lee Parsons, da Ditto Music, disse que essa nova opção do Spotify não afetará o seu trabalho: “Continuaremos fazendo tudo o que fazemos hoje”. 

Já os participantes brasileiros foram mais críticos. Arthur Fitzgibbon, da OneRPM, comentou que esse movimento do Spotify é um chamado à guerra. “Há muito dinheiro nas ruas, e eles estão vindo brigar por ele. Nós temos experiência nesse mercado e vamos continuar nas ruas, buscando artistas, trabalhando como sempre trabalhamos e, se preciso, iremos à guerra”. O discurso de Arthur foi corroborado por Heloisa Aidar, do Alta Fonte SP: "As empresas que estão aqui (nesta mesa) são especializadas. Nosso dia a dia trabalhando com distribuição digital não acaba no lançamento. Não é simplesmente pegar o material, mandar e acabou. Existem muitas outras questões”, explicou. 

Convidado ausente de 2017, mas presente na edição 2018, o secretário de cultura da cidade de São Paulo, André Sturm, foi entrevistado pela jornalista Lorena Calabria, na Sala de Ensaio II, e pediu articulação dos músicos para lutarem contra o fim do Ministério da Cultura – o presidente eleito Jair Bolsonaro pretende transformar o MINC numa pasta dentro do Ministério da Cidadania. Tema do painel de abertura da SIM São Paulo 2018, o futuro do MINC também foi assunto de uma carta aberta escrita pelo Conselho Consultivo da SIM São Paulo, que diz lastimar “o fim do Ministério da Cultura e sua substituição por uma Secretaria na pasta da Cidadania. Isto não garante integração com a área social, nem faz justiça à economia da Cultura”. 

Um dos momentos emocionantes do dia aconteceu na mesa sobre novos festivais do Brasil, com representantes de 11 festivais que contaram suas experiências em trabalhar com música no país. Carolina de Amar, do Festival Sarará, de Belo Horizonte, contou a experiência de capacitação que a equipe promoveu com sucesso na edição deste ano com pessoas trans e sênior. O evento aconteceu em agosto de 2018 para 25 mil pessoas no estacionamento do Mineirão, em Belo Horizonte, e o resultado do projeto pode ser visto neste vídeo de relato emocionante, que foi longamente aplaudido pela plateia da SIM São Paulo. 

A britânica Vanessa Reed aproveitou seu painel na SIM São Paulo para comemorar a entrada do badalado festival espanhol Primavera Sound na lista de festivais que apoiam o Keychange, plataforma que busca paridade entre homens e mulheres nos line-ups de festivais mundo afora. Vanessa contou que são mais de 160 festivais participantes do Keychange, e para exemplificar como a representatividade feminina era muito menor em line-ups, mostrou a escalação dos festivais britânicos de Reading, Creamfields e T In The Park tirando todos os homens da lista, deixando visível quão poucas mulheres estavam escaladas. Saiu aplaudida! 

O segundo dia da SIM também foi um dia internacional. Os argentinos da Instituto Nacional de La Música (INAMU) mostrou seu modelo de apoio aos músicos num bate papo que rendeu muitas ideias na Sala Paulo Emilio. Enquanto isso, no Espaço Oi Labsônica, no Jardim Suspenso do CCSP, os bem humorados australianos juntavam rock e hot dog com seu já tradicional Aussie BBQ acompanhado de Budweiser e drinks Jack Daniels além de refrigerante Wewi, seguidos pelo Coquetel Ceará (com shows de Soledad, Ilya e Astronauta Marinho), que lotou o espaço, que encerrou a programação com a banda italiana Kaláscima. E ainda teve GPTW na Sala Lima Barreto, com a convidada Tey Yanagawa (Cia de Talentos) listando empresas que são exemplos de empreendedorismo e inovação. 

Todos os espaços do CCSP respiravam música no segundo dia da SIM São Paulo. No Jardim Sul revezaram em meet-ups equipes do Sonora, do SXSW e de festivais brasileiros – no fim do dia, o escritor Michael Azerrad conversou e autografou seu livro “Nossa Banda Poderia Ser a Sua Vida”, lançado durante a SIM São Paulo. O clima na PRO-AEREA continuou movimentado, e muitas reuniões foram feitas no café do local, com as mesas transformadas em área de negócios e prospecções.   

EXPOMUSIC DAY

A Sala de Ensaios I foi reservada neste segundo dia de SIM para a Expomusic, que ainda promoveu um lounge com marcas e instrumentos. Na primeira ação do dia, o tema discutido foi "Endorsement", e integrantes do mercado buscaram esclarecer ao público como as marcas se conectam com os artistas: "Quero saber o motivo de ele estar ali. É por que ele ama a música? Quer economizar? Ou acredita que a marca pode impulsionar sua carreira?", questionou Flora Tonelli, da Musical Express. 

Na sequencia, Thiago Adamo ministrou o workshop "Sound Design para Games" contando curiosidades de sua rotina, falando sobre a fadiga auditiva (quando a música no game mais atrapalha do que ajuda: “Nossa luta é ir contra esse sentimento”) e mostrando ferramentas que podem auxiliar ao artista evita-la. Um dos painéis mais disputados do segundo dia da SIM foi o terceiro do Expomusic Day. Com a sala totalmente tomada, representantes do Youtube Music, Tidal, Gig Loop e OneRPM debateram o tema "a evolução do mercado digital: novas formas da música chegar até você". Para Yasmin Muller, do Tidal, “as playlists já são uma realidade, mas o vídeo é uma nova plataforma de descoberta”. Segundo ela, o próximo passo é fazer dessa nova plataforma “uma nova fonte de renda para os artistas”. 

Encerrando o Expomusic Day na SIM São Paulo, o painel “a indústria de instrumentos musicais no Brasil e a nova Expomusic” analisou o comportamento dos compradores de instrumentos numa tentativa de melhorar sua experiência e evitar dissabores. Maria Amélia Abdalla (Expomusic) e Daniel Filho (Francal) também reforçaram a aproximação da Expomusic com a SIM: “Essa iniciativa de fazer esse movimento é o inicio da busca por uma abrangência maior”, contou Maria Amélia. “Por muito tempo, o mercado dos instrumentos ficou desconectado do que é o mercado da música hoje. A nossa proposta é ser o pilar fomentador dessa conexão”, contou Daniel. 

SHOWCASES E TOM ZÉ

O segundo dia de showcases começou de maneira pesada, metalizada, e enquanto os jovens que tradicionalmente fazem de espelho as vidraças da Sala Adoniram Barbosa para ensaiarem passos de k-pop dançavam, os mineiros do Black Pantera faziam um barulho de responsa abrindo os showcases do dia, que ainda foi ocupado pelo rock rural de altíssima qualidade do Joe Silhueta, pela força instrumental do E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, pelas melodias cativantes do Baleia, pelo mix de hip hip, kuduru e sonoridades orientais do impressionante português Conan Osiris, pelo folk cativante da Tuyo e a conexão latino-americana nos shows celebrados de Santa Malo (Bolívia) e Miss Bolívia (Argentina), que entrou com suas dançarinas vestidas de lutadoras no ring da SIM. Para fechar, a diva Paula Lima encantou o público presente! 

Para encerrar a programação do segundo dia da SIM, uma palestra incrível de Tom Zé (que rendeu a maior fila de conferencistas do evento) falando sobre arranjos num evento organizado pelo MIA – Música Instrumental Agora. Tom Zé relembrou sua formação em Salvador ao lado dos tropicalistas Caetano Veloso e Gilberto Gil, citou Béla Bartók, John Cage, David Byrne, despejou duas sacolas de fitas cassete com experimentos que realizava de afinação e sobreposição de sons nos anos 70 e fez todo o público rir e se divertir muito com suas histórias que, de maneira impressionante, eram todas amarradas no final. Um fechamento de ouro para o segundo dia num dos grandes momentos da história da SIM São Paulo. Hoje tem mais!

#ToNaSIM

* Texto: Marcelo Costa - Foto: Pedro Margherito

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