MINISTÉRIO DA CIDADANIA E MASTERCARD APRESENTAM

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Qual o valor da música?





A música, para a maioria das pessoas, é um mero objeto de entretenimento. Porém, mergulhando no mundo da música, é possível vislumbrar um território vasto, repleto de valores, oportunidades e desafios, que cada vez mais se torna importante para as cidades no que diz respeito à economia criativa, conhecimento, identidade e geração de renda como transformadora social. Então, cultura tem valor?

Dani Ribas, integrante do Conselho Consultivo da SIM São Paulo desde 2015 e diretora do núcleo de pesquisa DATA SIM, observa que é quase consenso que cultura tem valor. “Mas como mostramos isso para a sociedade?”, questiona. Música faz bem para a alma, mas isso não basta do ponto de vista do argumento político para o poder público. “Temos de usar números a respeito das atividades econômicas ligadas à música. Temos de demonstrar o valor agregado que a música pode proporcionar à força de trabalho e a seus produtos. As pesquisas do IBGE, como a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), mostram que os trabalhadores da área cultural são mais qualificados que a média de trabalhadores que não atuam na área cultural”, informa.“E essa ‘classe criativa’, como chamam alguns autores, compreende todos os profissionais que trabalham nesse mercado, incluindo todos os que assessoram os artistas”.

69% DOS ENTREVISTADOS ESTÃO CONSTANTEMENTE BUSCANDO MÚSICA NOVA*

“Existe uma cadeia produtiva que vai do designer ao técnico de som, do manager ao compositor, chegando até à gravação do fonograma e ao show propriamente dito, que são as entregas finais do artista. Essa cadeia tem um impacto social, econômico e cultural na região em que está acontecendo”, observa Vander Lins, supervisor de projetos especiais da Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo e responsável pela produção de grandes eventos, como a Virada Cultural, o Carnaval e o SP na Rua, entre outros. Na sua experiência na área, Vander conta que o mercado não está pronto em sua totalidade para atender às necessidades que norteiam esses eventos e, por isso, a Secretaria criou um núcleo de aprendizes que o acompanham o ano inteiro, do chamamento artístico até o relatório de um evento. “A cultura é muito potente quando ela transita. E música é o objeto artístico de mais fácil consumo”, define.

Quando falamos sobre música, também estamos falando em identidade cultural, em expressar quem nós somos. “Mas ela tem, além desse valor artístico, um valor econômico em torno dessa cadeia produtiva que muitas vezes nem é tão claro para a maioria das pessoas”, acrescenta Leo Feijó, subsecretário-adjunto da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. “Você não precisa necessariamente ser músico para atuar nesse ambiente do ecossistema da música. Existem mil e uma carreiras que você pode desenvolver, trajetórias em torno desse universo que você pode seguir”, provoca Leo, famoso por sua experiência em movimentar o cenário da noite carioca.

59% DOS ENTREVISTADOS PLANEJAM ENCONTROS ANTES OU DEPOIS DE UM EVENTO*

 

MÚSICA E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

 

“As cenas musicais são um catalizador para cidades culturalmente vibrantes”, acrescenta Lutz Leichsenring, porta-voz do Berlin’s Clubcommission, organização criada em 2000 para estudar e desenvolver a cultura de clubes da capital alemã, e do Creative Foot Print, iniciativa sem fins lucrativos que estuda o desenvolvimento do espaço da música ao vivo com o auxílio de professores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. “Elas movimentam o turismo e atraem trabalhadores qualificados; por exemplo, da economia digital, e não são só um grande trunfo para startups, como também beneficiam outros setores das indústrias criativas, como o cinema e moda”, pontua.

68% DOS ENTREVISTADOS COMPARTILHAM A EXPERIÊNCIA MUSICAL EM REDES SOCIAIS*

“Passamos a gerar empregos que não existiam antes”, confidencia Fernando Dotta, do selo Balaclava Records, especializado em lançar artistas nacionais e em produzir shows de artistas internacionais no Brasil. “Entendemos o nosso modelo de negócio e começamos a pensar que precisávamos de uma pessoa que cuidasse das redes sociais, outra que fosse especializada em escrever projetos musicais para o selo. Por mais que seja ainda uma estrutura enxuta, a gente consegue gerar vários tipos de trocas e parcerias a nossa volta”, comemora.

66% DOS ENTREVISTADOS DESEJAM EXPERIÊNCIAS QUE OS COLOQUEM EM CONTATO COM PESSOAS E EMOÇÕES REAIS*

Nesse cenário, alguns centros urbanos encontram-se na vanguarda daquilo que está movimentando as cadeias produtivas da música. O estudo “Levantamento socioprodutivo da música do Distrito Federal - SEC-DF | Unesco” realizado por Dani Ribas, em 2018, levantou algumas iniciativas que trazem boas práticas para o desenho de uma política atualizada em relação às demandas do setor. O Creative Footprint chegou a fazer um grande estudo em 2017, que mapeou mais de quinhentos locais de música de Berlim. Analisando os resultados do auxílio do poder público, o financiamento para música e cultura na cidade é de cerca de 2 milhões de euros, gerando impacto na programação, promoção e popularidade da música local. Londres criou o posto de Prefeito da Noite (Night Czar), em 2016, e aprofundou a questão em 2018 com uma nova política para casas noturnas. O intuito é encontrar formas para que tanto autoridades quanto empresas e moradores se comuniquem e trabalhem juntos. Adelaide lançou, este ano, o Music Development Office (MDO), iniciativa governamental conjunta da Arts South Australia e da divisão Industry, Innovation, Science e Small Business do Department for Industry and Skills da Austrália. Ela visa a facilitar o desenvolvimento contínuo da indústria musical do sul do país, apoiando tanto o desenvolvimento criativo quanto o empresarial.

73% DOS ENTREVISTADOS PREFEREM EXPERIÊNCIAS NA VIDA REAL A EXPERIÊNCIAS NO CAMPO DIGITAL*

 

DATA SIM

 

Novidade anunciada na cerimônia de entrega do Prêmio SIM, durante a Semana Internacional de Música de São Paulo 2017, o DATA SIM pretende levantar dados socioeconômicos sobre o mercado da música brasileira e aprofundar a compreensão de suas dimensões, organização e relações com outros setores das indústrias criativas. A primeira investigação envolve estabelecimentos de pequeno, médio e grande porte dedicados à música ao vivo. O questionário,com mais de sessenta perguntas levantou informações sobre como é feita a programação musical desses espaços, como eles se estruturam e, também, quais as suas dificuldades. O resultado disso traz a uma análise do ecossistema musical da capital paulista, e identifica áreas de crescimento. Isso dará embasamento para a elaboração de estratégias de potencialização dos benefícios econômicos e sociais para o setor e para a cidade, e poderá ser replicado para qualquer outro território ou contexto no futuro. Os primeiros estudos contaram com parceria da JLeiva Cultura & Esporte e patrocínio de Natura Musical. “Para se fortalecerem, as indústrias criativas precisam se conhecer melhor, precisam ter uma visão mais clara de sua força conjunta, de sua diversidade. E também dos desafios que têm pela frente”, diz João Leiva, diretor da JLeiva Cultura & Esportes. "O objetivo é tentar fazer o poder público, finalmente, enxergar o setor como uma grande indústria, que dá mais ao país do que recebe e que deve ser apoiada", diz Fabiana Batistela, diretora da SIM São Paulo. “Esperamos que isso ajude não apenas as casas noturnas, que poderão se compreender melhor enquanto setor produtivo na economia da cidade, mas ajude o setor musical como um todo. Isso também contribuirá para a elaboração de políticas públicas voltadas ao setor, caso São Paulo tenha interesse em se destacar como cidade musical em nível mundial”, conclui Dani Ribas.

 

A FORÇA DO MERCADO DE MÚSICA AO VIVO

 

“A música ao vivo é um negócio em si, nunca deixou de ser”, opina Edson Natale, gerente do núcleo de Música do Itaú Cultural. “No fundo, a gente subdimensiona por falta de conhecimento. Tem música rolando todas as noites em Itaquera, na Cidade Tiradentes, na periferia de São Paulo”, exemplifica. “O que show internacional movimenta a cidade é um absurdo!”, completa Fernando Dotta. “Mexe com turismo, passagem aérea, hotel, transporte local, restaurante... Vem gente do Brasil inteiro. Seria interessante haver uma comissão, como o prefeito noturno de Londres, que privilegie a cultura. Mas também é preciso uma organização entre as próprias casas de shows”, cobra.

71% DOS ENTREVISTADOS CONTAM QUE EM SEUS CÍRCULOS PRÓXIMOS LHE PERGUNTAM MUITO SOBRE PRODUTOS DE TECNOLOGIA*

Se o show é um importante estímulo para o público, amplificando o alcance da música e de toda sua cadeia produtiva, o que as cidades brasileiras estão esperando para investir em políticas públicas que facilitem o desenvolvimento desse cenário? Para Dani Ribas, não há nenhuma dúvida de que as políticas culturais no Brasil, nos últimos dez anos, avançaram bastante. “Porém, a política construída pelo Sistema Nacional de Cultura, que foi muito importante e pavimentou o caminho para chegarmos até aqui, foi insuficiente nesse aspecto. Muito porque ela partia do pressuposto de ouvir a sociedade, o que é primordial, mas também é preciso ouvir os setores de mercado, especialmente o de pequenos empreendimentos culturais, algo que essa política não realizou.” Para ela, o que precisamos neste momento é juntar essas duas coisas.

85% DOS ENTREVISTADOS JÁ COMPRARAM UMA ROUPA NOVA PARA USAR EM UM SHOW*

 

LEI SP CIDADE DA MÚSICA

 

Aprovada mediante voto favorável da maioria absoluta dos membros da Câmara Municipal de São Paulo em dezembro de 2016, o projeto de lei n o 376/2016 - SP Cidade da Música não foi retomado com a nova gestão que assumiu a Prefeitura em 1 o de janeiro de 2017. O PL visava organizar a atuação do poder público e o apoio à música em São Paulo em diversas frentes, desde a criação e circulação até a música de rua, a música instrumental e as ocupações musicais nos espaços públicos e equipamentos. Trechos desse projeto de lei, porém, começaram a aparecer na forma de editais isolados em 2017 – apoiando, por exemplo, tanto a criação artística quanto os espaços independentes, contudo, diminuindo o impacto de um plano pensado detalhadamente para atender à toda a cadeia produtiva da música na cidade de São Paulo.

 

O PODER PÚBLICO COMO MEDIADOR

 

Para André Sturm, atual secretário municipal de Cultura de São Paulo, o valor da música “é gigantesco e incalculável”. Segundo ele, a música é uma linguagem com inúmeras possibilidades. “Com certeza, uma cidade como a capital paulista, que tem vocação para a noite, atividades ligadas à música têm a possibilidade de contribuir muito como um vetor de desenvolvimento econômico, inclusive, não só cultural. De todas as linguagens, a música é a que tem mais apelo,por estar relacionada com a vida noturna”, acredita, ainda que, para algumas pessoas, a cidade de São Paulo não aproveite a contento sua força criativa.

72% DO PÚBLICO ENTRE 13 E 39 ANOS DE IDADE JÁ VIAJOU MAIS DE MIL KM PARA IR A UM EVENTO DE MÚSICA*

“Para mim, é algo incompreensível, do ponto de vista da contemporaneidade, como o poder público de uma cidade como São Paulo não consegue reconhecer o valor econômico da música de uma maneira consistente e organizada, já que, no fundo, se trabalha São Paulo como uma cidade repleta de atividades”, pontua Edson Natale. “E creio que o poder público, de uma maneira apartidária, não consegue reconhecer esse potencial porque nos faltam estudos, uma pesquisa sob o ponto de vista econômico. A questão do DATA SIM é fundamental”, acredita. Juliano Polimeno corrobora: “Faltam dados no mercado para que a gente consiga fazer algum tipo de análise. Pergunto ‘qual é o tamanho do mercado de música no Brasil?’ e ninguém sabe responder".

Leo Feijó, no estado do Rio de Janeiro, se ressente também da ausência de um conselho estadual que pense música, de uma agência para fomentar esse mercado, mas reforça: “Para nós, é fundamental entender a indústria da música como potencial de transformação das cidades e de projeção delas. Fomentar as redes e os palcos ajuda bastante. A música tem o poder de transformação urbana." Segundo Lutz Leichsenring, para criar uma cidade cultural vibrante, é preciso três componentes: 1) espaços criativos acessíveis e econômicos, como estúdios de ensaio e casas de shows; 2) boas condições de estrutura, licenças para os lugares poderem trabalhar 24 horas e políticas que permitam transporte público à noite; 3) suporte para a comunidade de artistas, promotores de eventos e proprietários de clubes, que são criadores de mudanças e produtores de conteúdo. No caso de São Paulo, tudo isso estava contemplado na Lei SP Cidade da Música, proposta pela sociedade civil, mas que não teve aprovação na Câmara. As iniciativas pontuais da Prefeitura ainda não deram conta de atender de forma sistemática e eficaz às demandas do setor, muito menos causaram impacto visível no mercado. Poderíamos aprender mais com Berlim, Londres, Adelaide, Nova York e Bogotá, mas ainda estamos engatinhando nesse sentido.

* Global Live Music Fan Study, uma pesquisa realizada pela Live Nation e publicada em 2018, que ouviu 22.500 pessoas de 13 a 49 anos de idade, em 11 regiões espalhadas pelos 5 continentes: Brasil, Estados Unidos, Canadá, México, Reino Unido, França, Alemanha, Escandinávia, Austrália, Japão e China.

 

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