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Manoela Wright: “sou privilegiada por fazer parte da SIM"





Por Rafaela Piccin

O terceiro capítulo da série #BehindTheSIM, que conta a história das profissionais envolvidas na Semana Internacional de Música de São Paulo, entrevista a publicitária e produtora Manoela Wright, responsável pelos showcases diurnos da feira, no CCSP. 


Quem frequenta a SIM São Paulo, seja como público ou agente do mercado da música, sabe a importância dos showcases diurnos que acontecem na Sala Adoniran Barbosa, palco importante do Centro Cultural São Paulo e da cidade. Além da curadoria especial, que tem a difícil tarefa de contemplar artistas de vários lugares do país e do mundo em meio a milhares de inscrições, outro desafio é a produção desses shows. E esta é a função de Manoela Wright, publicitária e produtora cultural, criadora da Uirapuru Produtora.

Manu conhece bem a feira, pois trabalha no projeto desde a primeira edição, em 2013. Neste e no ano seguinte, foi a responsável geral de produção. Com o crescimento e reestruturação da feira, a partir da terceira edição assumiu a coordenação dos showcases. “Sinto-me privilegiada por fazer parte desse time que, em sua maioria, são mulheres, e por estar em contato com o mercado mundial da música”, conta ela, que considera sua função uma adrenalina e tanto - e muito motivadora. 

Só em 2018, mais de 2 mil artistas de 25 estados brasileiros e 22 países se inscreveram para tocar. Foram selecionadas 27 atrações, divididas entre os três dias de evento: nove shows por dia. “Temos um desafio de não atrasar nem o início, nem o fim de cada atração e nossa vida passa a funcionar de 20 em 20 minutos durante a feira (20 de show/20 de troca de palco), e temos a responsabilidade de entregar uma boa estrutura e um bom som, já que o produto principal ali é a música”, comenta.

Trabalhando com música desde 2010, Manu foi uma das fundadoras do Mundo Pensante, ao lado de Paulo Papaleo. À época, o MP funcionava como produtora cultural, realizando cursos e pequenos eventos de multilinguagens artísticas, com foco na música. Quando a iniciativa passou a ter espaço físico, ela decidiu seguir na área de management e booking, fundando a Uirapuru Produtora, que hoje atua na cena da música contemporânea e experimental.

Em sete anos, a agência, que leva nome de pássaro da Amazônia e sinfonia de Villa-Lobos, já realizou shows em importantes palcos do Brasil - como unidades do Sesc na capital e no interior, além da Virada Cultural (paulistana e paulista) e Auditório Ibirapuera, entre outros. Também já esteve presente em eventos na Europa e Ásia, como o Festival D'Avignon e Festival OFF do Jazz’n’Marciac, ambos na França.

Atualmente, Manu trabalha com alguns dos nomes mais interessantes da cena de instrumentistas mulheres. Agencia a Quartabê, projeto que brinca com o conceito de sala de aula e relê a obra de grandes compositores brasileiros, como Moacir Santos e Dorival Caymmi, além de acompanhar as carreiras solo de três musicistas que integram a banda: Maria Beraldo, Mariá Portugal e Joana Queiroz.


Entre tantos momentos estimulantes na carreira, Manu cita um que guarda na memória com emoção: “Sendo pesquisadora e fã de música experimental e improvisação livre, [um acontecimento marcante] foi trazer a alemã Globe Unit Orchestra para o Brasil, depois de mais de 10 anos sem tocarem juntos, em parceria com o Sesc para o festival Jazz na Fábrica 2017”.

Com projetos tanto no Brasil como no exterior, Manoela traça paralelos entre os mundos e extrai o melhor de cada situação. Se, por um lado, a música produzida em território nacional é rica, por outro, viver de música aqui tem seu revés. Para ela, um dos maiores desafios é conseguir fundos para a realização dos projetos. “Não temos apoio significativo do governo para a cultura e, cada vez mais, com o governo atual, sinto a redução do pouco que já existe”, reflete. 

Enquanto isso, na Europa, lugar onde mais atua fora do Brasil, percebe que, além de os países contarem com suporte cultural, existe grande preocupação com o tempo de planejamento. “No Brasil temos respostas de apoio muito tardias (sejam públicas ou privadas); muitas vezes uma feira ou um festival consegue apoios dois meses antes do evento. Na Europa o planejamento é feito com oito meses e, às vezes, até mesmo com um ano de antecedência”, conta.

E, por falar em preparação, um de seus próximos (grandes) passos é realizar seu próprio festival, o IMPRÔ, dedicado ao tipo de linguagem musical que move suas pesquisas. Para o evento, retoma a parceria com o Mundo Pensante e apresenta, nas três casas (MP, Estúdio Bixiga e Lab Mundo Pensante), entre os dias 6 e 15 de setembro, programação que busca difundir a produção da música contemporânea - como a junção do duo paulista RAKTA e da soprista dinamarquesa Mette Rasmussen. Ansiosa, Manoela Wright, que tem olhar curatorial voltado para o novo, promete incluir na programação artistas que seguem nesta linha e exploram novas linguagens sonoras, propondo outra forma de perceber a música.

OUÇA A PLAYLIST DA SIM SÃO PAULO COM TODOS OS ARTISTAS QUE JÁ TOCARAM NOS SHOWCASES DIURNOS

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