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Revista SIM São Paulo 2019 - A música como instrumento de luta





Por Paula Abreu (Diretora Associada de Programação do City Parks Foundation) // Foto: Emicida no Evento de Encerramento da SIM 2019 por Filipa Aurelio

 

A música sempre foi uma arte que une um ponto em comum entre diferentes culturas. O seu consumo continua crescendo globalmente, mas será que a música permanece com o mesmo papel em momentos de crise política, de falta de tolerância e de embates furiosos?

Certamente, não. Frente à opressão, a voz do artista ganha outro peso, outro significado. Isso não é novidade. Há 50 anos, em épocas sombrias, fomos presenteados com revoluções musicais como a tropicália, com obras-primas de Chico Buarque, entre tantos outros. Já nos EUA, protestos pró-direitos humanos e contra uma guerra injustificada marcaram as décadas de 1960 e 1970, com Harry Belafonte, Bob Dylan, Pete Seeger e companhia.

Hoje, novamente, a música é usada como instrumento de luta e de questionamento. Mesmo em novo contexto de mídia, mercado e política, a música continua sendo uma ferramenta para superação de obstáculos e problemas sociais.

Aqui nos EUA, desde a polêmica “You Need To Calm Down”, da Taylor Swift, cheia de mensagens subliminares e poderosas, ao arrebatador “This Is America”, de Childish Gambino, o rap aguerrido e bastante politizado de Kendrick Lamar, o pop tem colocado em xeque o racismo, o preconceito e as desigualdades.

No Brasil, pipocam exemplos representativos. Como “AmarElo”, do Emicida; o fenômeno (já internacional) Pabllo Vittar; o show vermelho e cheio de discurso de Letrux; a Ana Cañas sendo nomeada ao Grammy Latino. A música com mensagem é muito bem-vinda em momentos de crise. Nesse quesito, Brasil e EUA estão bem servidos.

No entanto, o que preocupa é que enquanto as instituições de arte nos EUA são sólidas e têm o poder de veicular mensagens transformadoras, no Brasil esse papel está restrito a algumas iniciativas inovadoras. Em momentos em que orçamentos públicos de incentivo são cortados e estatais cancelam programas culturais e protagonizam suspeitas de censura, a única saída é não ficar calado.

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