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Ricardo Rodrigues: “O brasileiro tem seus modos específicos de consumo”





Por Izabela Delfiol

 

Continuamos com a série #BehindTheSIM, que conta a história dos profissionais envolvidos na Semana Internacional de Música de São Paulo. No décimo sexto capítulo, entrevistamos Ricardo Rodrigues, um dos fundadores do Festival Contato e da Agência Let's GIG. 

Formado em Imagem e Som na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e um articulador natural, Ricardo Rodrigues é um dos fundadores do Festival Contato e da Agência Let's GIG. A ligação com a música sempre existiu e o trabalho na área começou ainda durante a graduação: “No primeiro ano já estava fazendo um programa em uma rádio pirata na universidade, então já tinha um envolvimento. Mas na época que eu estava me formando começou um boato de rádio da UFSCAR, eu estagiava na área de comunicação social da faculdade, vi essa oportunidade e puxei esse debate. Assim que me formei, em 2006, me chamaram pra coordenar esse processo de implantação que colocaria a emissora no ar em agosto do ano seguinte. Fui o primeiro funcionário a ser contratado, ajudei a comprar equipamento, acompanhei a construção do prédio, montei equipe e assumi a direção da emissora:  primeiro direção artística, depois direção geral, onde fiquei por oito anos”, conta. 

A passagem pela Rádio UFSCAR coincidiu com a criação do Festival Contato e com movimentos de organização do mercado como a criação da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) e da Associação de Rádios Públicas do Brasil (ARPUB). “Me engajei muito nesses movimentos. Depois, em 2013 criei o GIG, uma casa de show que tivemos por seis anos em São Carlos”, lembra. “Quando sai da rádio, comecei a conversar com alguns artistas para trabalhar como booker, ainda de forma embrionária. Comecei com artistas da região e aí o Rafael Barone, baixista e produtor musical de Liniker e Os Caramelows, me convidou para assumir o trabalho com o grupo logo nesse começo, antes do primeiro show... Eles tinham acabado de lançar os vídeos, a coisa começou a explodir e eles precisavam de ajuda para se inserir no mercado. A Let's Gig nem era uma empresa ainda. Montamos toda a estratégia, pensamos toda a carreira deles como banda e foi essa experiência que levou à criação da Let's Gig, que hoje é meu principal projeto.”

Ricardo integra o Conselho Consultivo da SIM há 3 anos mas sua trajetória anda paralelamente à da convenção desde a edição número um. Ele conta que foi ali que começou a se inserir no mercado em diferentes aspectos e acredita que “o mercado sentia falta de um evento agregador como esse na cidade de São Paulo”. Ricardo também revela um pouco sobre o que é fazer parte do CCSIM: “É um trabalho que nos força a continuar estudando e ficar antenado, acompanhando o que está rolando. O conselho é formado por pessoas incríveis, um espaço de debate muito legal durante o ano inteiro, onde nos conectamos com coisas novas e aprendemos muito”. Ricardo acredita que mais do que conectar pessoas, a SIM tem o papel de provocar debates e debater as constantes mudanças do mercado: “Esse é um dos grandes diferenciais da SIM: a clareza de que o mercado não está parado, está sempre mudando e o posicionamento é de questionar por que as coisas são como são. Estamos sempre buscando evolução: o tempo inteiro”, reflete.

Ele também destaca como a SIM representa coisas diferentes para agentes em diferentes momentos da carreira: “O evento consegue servir de porta de entrada para muita gente no mercado, porque tem muita ação de formação e abertura de conexões para quem está nos primeiros passos. Em paralelo, é um grande espaço de visibilidade, então todo mundo está lá querendo mostrar seu trabalho, tanto em termos de serviços quanto artístico. É realmente uma grande vitrine para tudo de mais quente e mais atual.”

Como alguém com experiência em diferentes funções dentro do mercado de música, ele acredita que o mercado brasileiro está em um momento de maior profissionalização. “Os mercados internacionais têm hoje uma divisão de tarefas mais clara, têm normatização e parâmetros de mercado mais estabelecidos e permitem uma regulação maior. Por mais que não sejam obrigações de como trabalhar, existem regulamentações que acredito serem muito saudáveis e nosso mercado não tem. Acho que é um passo que estamos prestes a dar. A gente já vê hoje novas formas de trabalhar ficando mais transparentes para que estabeleçamos pelo menos alguns padrões, principalmente porque estamos chegando no momento de ter um midstream consolidado. Antes nosso mercado era de muitos extremos, tínhamos só o mainstream e o muito underground. Agora estamos conseguindo formar um mercado ‘do meio’ que está se estruturando de maneira mais sustentável, com uma escala de números de fãs, espaços de shows e monetização do trabalho que é mais viável”. 

Diante da crise mundial causada pela pandemia do coronavírus e o apagão enfrentado pelo mercado ao vivo em todo o mundo, todo o setor tenta se preparar para o futuro. Ricardo acredita que há diversos fatores que já vinham sendo observados e precisam ser levados em conta na construção deste novo futuro. “Essa mudança de ficar em casa e usar a internet pra fazer tudo já vinha acontecendo e a gente achava que esse processo seria mais longo, mas a Covid vai acelerá-lo. Vamos ter uma demanda gigantesca por mais conteúdos online e isso pode ser visto como oportunidade”, pontua ressaltando que a criatividade será fundamental nessa busca por novos modelos de negócio e formatos de produção.

Ele acredita ainda que os desafios que temos pela frente serão complexos: “Acho que todas essas questões de saúde pública, meio ambiente e sustentabilidade vão estar mais presentes e que a tecnologia vai ter que acompanhar os eventos presenciais também. Talvez a gente passe por um período longo de retomada do ritmo que tínhamos antes, se é que vamos conseguir voltar a ele. O brasileiro tem seus modos específicos de consumo, seus interesses, vontades e cultura e acho que é cedo para fazer grandes avaliações se essas mudanças serão estruturais e culturais e não momentâneas”.

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