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SIM São Paulo – 1º dia

O dia começou às 11h, com a palestra “O ecossistema da música no século XXI” já cheia logo de manhã. Ministrada por Alexandre Matias, foi um desdobramento do projeto homônimo que começou este ano no Espaço Revista Cult, na Vila Madalena. A ideia proposta pelo jornalista é unir pessoas que trabalham em áreas diferentes: shows, internet, gravadoras. Uma observação interessante do Matias, sobre o SIM foi que:

“Esse evento, em outra época, seria mais restrito, seria mais pra pessoas que já estão trabalhando no mercado. Eu vejo cada vez mais em eventos desse tipo, com gente que quer trabalhar com música, vindo aprender por onde começar. Antes, teria um monte de artistas distribuindo material – hoje não, hoje tem gente interessada em saber como as coisas estão funcionando para começarem a trabalhar com isso”.

Durante uma rápida conversa no bar com Thomas Jamois, da agência francesa Creaminal, descobrimos que o mercado de trilhas sonoras para publicidade e cinema na França está dividido entre trilhas sonoras originais (produzidas em estúdio especialmente para a ocasião) e músicas prontas, licenciadas. “50-50%”, disse ele, que trabalha tanto com a produção das trilhas quanto com licenciamento de músicas.

O mesmo funcionamento do selo Label A e do Estúdio Angels, em São Paulo. Quem dirige ambos é Zé Eduardo Avino, que participou do bate papo sobre selos independentes no Bar Skol. Ele produz trilhas sonoras originais no Estúdio Angels, que atende muito o mercado publicitário. Mas recentemente fundou o selo Label A, que lança discos de artistas frescos e relevantes para a nova música nacional – como Anelis Assumpção e Fernandinho Beat Box – e licencia músicas para filmes em geral.

Na sequência, ainda no Bar Skol, a palestra sobre o case Skol Music, com os produtores musicais Dudu Marote, Zegon e Miranda, mostrou um modelo novo e inédito de branding, onde uma marca pode andar lado a lado com o conteúdo artístico e com o mercado independente. “Estamos redescobrindo como fazer música”, afirmou DJ Zegon, diretor do selo BUUUM.

Um encontro com Millie Millgate, de Sidney, nos fez descobrir que a música do Brasil é uma incógnita no mercado australiano. “Só conhecemos os clichês da bossa nova”, disse ela, que está em sua primeira incursão pelo nosso país. Cheia de curiosidade sobre a nova cena musical brazuca, a produtora da Sounds Australia está em busca de parceiros para o intercâmbio de bandas. #ficaadica

Enquanto isso, acontecia o workshop artístico “Zero to Hero: tudo para sincronização de som, imagem e luz ao vivo”, do coletivo internacional United VJs. Em poucas horas, eles ensinaram como preparar a estética visual de um show sincronizada com a música, utilizando apenas um computador. Vera Kikuti, empresária de várias bandas de metal, assistiu ao workshop e seu comentário foi: “que incrível isso, é uma ótima opção quando não conseguimos levar iluminador para o show. Vou falar com o Andre Matos a respeito”.

No final da tarde, o Cine Olido literalmente bombou com a estreia do documentário “Racionais MC’s – 25 anos no movimento”, que foi aberto ao público em geral e contou ainda com bate papo entre a diretora Bia Bem e a assessora de imprensa Ana Paula Alcântara, do grupo de rap mais famoso do Brasil. Muitos fãs, artistas e curiosos estavam lá perguntando – e muito – para as duas após a exibição. Sucesso total.

Antes do filme, aconteceu o debate “Modelo de Negócios e de Administração de Carreiras no mercado da música de hoje”. Ali, Veronica Pessoa, empresária de bandas como Marcelo Jeneci e O Terno contou sobre como funciona o seu negócio e afirmou que “artista e empresário se tornaram mais plurais, no sentido de existir uma parceria e um trânsito maior entre os dois. Eles investem juntos e perdem juntos. Na Pessoa Produtora, por exemplo, os artistas vão ao escritório e querem saber o que está acontecendo”. Atenção artistas, se liguem!

No mesmo debate, Evandro Fióti do Laboratório Fantasma, contou que já conversou com muitas gravadoras mas nunca conseguiu chegar a um acordo. “Existe uma transformação no mercado que as gravadoras não levam em conta”, observa. “Não é porque tem streaming que você vai ignorar o download gratuito. Não é todo fã do Emicida que tem iPhone e acesso ao streaming, por exemplo”, afirma.

Ufa, é muita coisa! A Q&A com Chico César e a radialista Patrícia Palumbo você vai assistir em vídeo, em breve. E olha que o texto final, sobre a palestra de Steve Symons, booker do festival inglês Glastonbury vai ficar num post especial aqui no blog. Vamos correr que o segundo dia mal começou!

 (por equipe SIM São Paulo: Nathalia Birkholz, Francine Ramos, Letícia Alessi, Rafael Chioccarello, Maria Ruberti e Carol Pascoal)