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Com a palavra, Steve Symons do festival Glastonbury (UK)

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Steve Symons entrou despercebido no lounge SIM, na Praça das Artes. Ficou encostado na parede, em frente à Sala Concerto, mexendo no iPhone enquanto aguardava o começo de sua palestra sobre o Festival Glastonbury (UK).

Antes da história de um dos maiores e mais antigos festivais de música do planeta ser contada, conversamos com ele. Steve vive em Bristol e é curador do palco West Holts – antigo Jazz World e terceiro maior do festival inglês, focado em grooves de todos os cantos do mundo e terceiro mais importante no evento, com capacidade de receber 25 mil pessoas e com shows transmitidos ao vivo pela BBC TV, rádio e site.

Quando perguntado sobre o quão requisitado (por produtores e bandas interessadas em tocar no festival anual de 5 dias) ele é, não titubeou: “Recebo uns cem emails por dia”. Mas ainda são poucos os brasileiros que o procuram. Por isso decidiu vir ao Brasil, pela primeira vez, especialmente para curtir a SIM.

“A internet ajuda muito na pesquisa, mas nada substitui o show ao vivo. Tem que ver a banda no palco”, pontua o inglês. Ele contou que iria à festa de abertura da SIM, no Jongo Reverendo, curtir o samba de Aline Calixto e a “fun farra” inusitada da Coutto Orquestra.

O Glastonbury acontece na Fazenda Worthy e é enorme, tem muitos palcos. “Esse ano, acho que foram uns 50 espaços para shows, ou mais…”. Com tantas apresentações, centenas delas, fica difícil acompanhar tudo. O Glastonbury é o maior festival ao ar livre do mundo e, pelo visto, eles prezam pela quantidade. “Nós pagamos menos aos artistas, em comparação aos outros festivais”, diz Steve. “Mas ainda assim, todos querem tocar lá”, completa.

Também… ter o Glastonbury no currículo é uma honra. São 44 anos de história. Tudo começou em 1970, com 1500 pessoas na plateia. Hoje são inúmeros palcos espalhados por uma área de quase 4 quilômetros quadrados onde cerca de 200 mil fãs de vários países podem acompanhar uma maratona de apresentações musicais e performances artísticas durante o verão britânico.

A história do festival mais icônico do mundo foi contada cronologicamente, através de fotos e pôsteres, por Steve. Ele mostrou uma foto em preto e branco do Glastonbury em 1971, que mais parecia uma aldeia indígena, com uma oca de palha grande e triangular e umas 20 barraquinhas de camping ao redor.

Em outro momento contou que, durante o período em que Caetano Veloso e Gilberto Gil moraram em Londres, nos anos 70, em tempos difíceis de ditadura militar no Brasil, eles se apresentaram no Glastonbury e garante que a dupla ícone da MPB deu duas ideias na concepção do festival que foram adotadas desde 1971 até hoje. São elas: o palco piramidal e a ideia de o evento não ser apenas um festival de música, mas de artes performáticas em geral. (na foto em destaque, você pode ver Steve mostrando a foto com Caê e Gil).

Foram muitas histórias e belas imagens durante quase duas horas de palestra…

(por Rafael Chioccarello)